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05 novembro, 2007

Oficina de Jornalismo Cultural - Teia 2007 - parte 2

O que foi a oficina?
Um espaço para refletir. Longe de receber respostas, nesse espaço fomos instigados a ouvir, pensar e falar sobre o porquê de estarmos ali, sobre o que é jornalismo cultural independente, sobre para quem é o jornalismo cultural independente. A dinâmica das conversas foi orientada pelo pessoal da Papagallis, que fez até mímica para que nós todos (uma média de 100 pessoas por turno) nos entendessemos. Foi usada uma metodologia que eles chamaram de "Café dos Oficineiros", várias mesas espalhadas no salão, com até 5 cadeiras cada, em cada uma delas foi instituido um anfitrião e os demais ficavam circulando pelas outras mesas a cada 15 minutos. As toalhas eram de papel e havia diversas canetinhas, resultado... todas as mesas ficaram muito rabiscadas e desenhadas e etc, como na foto acima. A cada nova conversa iam caindo preciosos pedaços de pensamento sobre a mesa, resultando em painéis que tentavam clarear as repostas das perguntas.
E afinal, por que esta(va)mos aqui(lá)?
Bem, cada um tem/tinha um motivo pessoal. O meu era aprender mais sobre Jornalismo Cultural. Trocar idéias. Conhecer pessoas. Reafirmar coisas que eu já sabia. Me preparar para meu projeto experimental de graduação. (Ao que tudo indica, o resultado foi positivo!)
Mas então, o que é jornalismo cultural independente?
Essa deu muito o que falar. Acredito que jornalismo cultural independente é um tipo de produção comprometida com o real, com um carater de utilidade pública (como todo jornalismo deve ser), descomprometido com o mercado. Busca dar uma angulação diferente para suas pautas, tem uma liberdade maior para abusar de uma linguagem mais informal e/ou literária, que entende cultura muito além de produtos culturais pasteurizados, que respeita a diversidade da palavra cultura, seguindo do cotidiano e das tradições até as artes e extrapolando isso para onde quer que o cidadão desejar, que tem uma vontade enorme de ser lido por quem quiser, onde se quiser e para isso é pensando de forma a ser sempre acessível.


E para quem é o jornalismo cultural independente?
Nossa mesa chegou aos seguintes pontos:
- Para todos, dentro da realidade de cada um;
- Para quem quer;
- É preciso pensar como interagir com quem não quer;
- Pensar em como descentralizar a informação;
- É importante que a pessoa que se propõe a fazer o jornalismo cultural faça uma busca de sua própria identidade cultural, de sua cultura popular;
- Feito isso, haverá sensibilidade na abordagem e na apresentação da informação;
- É necessário ampliar as opções de fontes, ir além das fontes oficiais - numa cobertura jornalistica tradicional (?) todos vão querer entrevistar os músicos, fazendo jornalismo cultural independente, por que não pegarmos a letra da música e traçar um paralelo com a realidade social e ver o que aquilo tem haver com a vida da dona Mariazinha e do seu Zé;
- É necessário pensar a angulação da reportagem - Ter cuidado ao retratar a dona Mariazinha, sem transforma-la em uma heroina brasileira que não desisti nunca, que caminha 5000 km debaixo do sol para conquistar seu objetivo, que seria personagem de reportagens do Fantástico ou do Globo Reporter;
- Buscar uma produção editorial diferente da grande mídia.


As respostas se confundem, ou mais que isso, as respostas se complementam.
O que você acha? O que é jornalismo cultural independente? E para quem ele é?

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