procurando, encontre

04 fevereiro, 2010

Lá e cá..

Amanhã faz dezoito anos que fui morar em Rondônia. Eu tinha apenas sete anos de idade quando cheguei por lá. Lembro de tudo como se fosse hoje. Chegamos ao aeroporto de Vilhena, e na sequência pegamos um ônibus velho da Eucatur até Ji-Paraná. Foram quase sete horas de viagem por uma estrada que horas tinha asfalto, hora era só terra, completamente esburacada. Estranhei muito aquele lugar. O céu era azul, havia verde por todos os lados, não era dificil ver vaca, galinha e cavalo pela cidade, não tinha cinema, havia uma galeria que eles chamavam de shopping e McDonalds era lenda. Chorei noite e dia. Queria voltar. Queria a minha São Paulo, o meu céu cinza, o meu quintal de dez metros quadrados, as grades que cercavam a minha casinha na rua Arthur Bernardes, número vinte, do Jardim Santa Francisca, de Guarulhos. Queria de volta a insegurança dos meus pais que me fizeram decorar esse endereço. Sei ainda o telefone... era dois - zero - oito - um - meia - meia - oito. Jamais poderei esquecer. Uma das coisas mais curiosas que tinha lá em Rondônia é que as estações do ano que eu havia aprendido, de leve, na pré-escola, que eram primavera, verão, outono e inverno, não existiam por lá. Só haviam duas estações: chuva e seca. E era no período da chuva que os aguaceiros mediavam as relações humanas. Todos os encontros eram agendados para antes ou depois da chuva. Dezoito anos se passaram. Fiquei dez anos por lá. Depois morei em Ribeirão preto por um ano. Mais seis anos em Viçosa, Minas Gerais. E dia vinte e dois de fevereiro completa um ano que voltei, finalmente, para minha São Paulo. E faz um mês que as relações por aqui estão sendo mediadas pela chuva. Ela tem aparecido todos os dias entre dezessete e trinta e as dezenove horas...

Mas eu juro, não fui eu quem à trouxe para cá.

Um comentário:

Felipe Pereira Heitmann disse...

Grande texto, rafa! Abraços!