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31 março, 2010

Caim

Acabei de ler ‘Caim’, de José Saramago. Fazia já algum tempo que eu queria ler este livro, acabei ganhando de aniversário, e priorizei outras leituras. Há algum tempo já havia lido ‘Ensaio sobre a cegueira’, do mesmo autor. Achei a leitura de ‘Caim’ muito mais leve, talvez pelo meu interesse em conhecer esse outro olhar sobre passagens bíblicas das quais já ouvimos falar, como a criação do homem, o jardim do éden, a destruição de sodoma e gomorra, o sacrifício de isaac, a construção e a destruição da torre de babel, a arca de noé, entre muitas outras.

Durante toda a leitura o narrador está presente, tentando ler os pensamentos do leitor, se adiantando, esclarecendo fatos, levantando questionamentos, como se dialogasse com um amigo. E para mim, essa cumplicidade estabelecida conferiu certa veracidade as informações, e me fez pensar o quão mau era aquele deus. E pior, a humanidade hoje, apesar de todos os avanços tecnológicos, não é mais civilizada que aquela. E seguindo o raciocínio do livro, por que é que deus não impede toda essa barbárie? Era aquela civilização amoral ou imoral? E nós, o que somos? E o diabo, pode tudo?

Enfim, ‘Caim’ rende muitas análises e muitos outros livros...

Gostaria de compartilhar um trecho, bastante erótico, e que me seduziu. Aqueles que forem moralistas, puritanos ou que se chocam com escritas carregadas com pormenores sexuais sintam-se a vontade para não ler.

“(...) Entraram no palácio por uma pequena porta lateral que dava para um vestíbulo onde duas mulheres esperavam. Retirou-se o enviado para ir dar parte que o pisador de barro abel já se encontrava ali e ao cuidado das escravas. Conduzido por elas a um quarto separado, caim foi despido e logo lavado dos pés à cabeça com água tépida. O contacto insistente e minucioso das mãos das mulheres provocou-lhe uma ereção que não pôde reprimir, supondo que tal proeza seria possível. Elas riram e, em resposta, redobraram de atenções para com o órgão erecto, a que, entre novas risadas, chamavam flauta muda, o qual de repente havia saltando nas suas mãos com a elasticidade de uma cobra. O resultado, vistas as circunstâncias, era mais do que previsível, o homem ejaculou de repente, em jorros sucessivos que, ajoelhadas como estavam, as escravas receberam na cara e na boca. Um súbito relâmpago de lucidez iluminou o cérebro de caim, para isto o tinham ido buscar à pisa do barro, mas não para dar gosto a simples escravas que outras satisfações próprias da sua condição deveriam ter. (...)”

josé saramago, caim, p. 54

Um comentário:

Leco Vilela disse...

Eu to louco pra ler esse livro!