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22 março, 2010

Sobre Laura


Saudades da Laurinha.
Eu, quando criança, nunca tive babá.
Laurinha cuidava de mim como se fosse uma. Mas isso, depois de grande.
Quase uma segunda mãe.

Durante seis anos ela se preocupou comigo. De todas as formas.
Se eu me alimentava, se eu trabalhava, com quem eu me relacionava...
Queria saber dos meus projetos, trazia as notícias de jornal em que eu aparecia.
E comentava orgulhosa que no salão de beleza, todos que viram minha foto, tinham me adorado.
Laurinha foi minha maior fã nos tempos de Viçosa.

Mulher simples, da roça, nunca soube direito a idade dela.
Uma época pensei que fosse nova e maltratada pelo tempo.
Depois descobri que estava chegando aos quarenta e conservando uma boa dose de juventude.
É dessas mulheres que não se deixam fotografar.
E não por que é feia, mas porque prefere as imagens que guarda na lembrança.

Cozinhar não sabia direito. Mas sabia que ao meu lado não passava vontade.
Chegava e perguntava... e hoje, o que teremos para almoçar?
No verão, sempre trazia um delicioso doce de figo.
Daqueles doces de figo em calda, feitos em tacho de alumínio, em fogaréu ao chão.
Feito por sua mãe. Mas me garantia que mexeu o doce com a colher de pau pelo menos uma vez.

Tem dias que eu acordo e fico assim, pensando nela.
Lembrando dela mandando eu sair da cama, eu ir passear.
Dizendo que queria visitar os parentes de São Paulo, mas que o tempo era curto.
Agora, acho que virei um desses parentes de São Paulo.
E o tempo dela continua curto. E o meu também.

Mas sempre sobra tempo para lembrar.

Um comentário:

Elizabete disse...

Lindo demais!!!!
Serei eternamente grata a essa pessoinha maravilhosa que cuidou generosamente bem, de quem por 6 anos foi seu anjo, o anjo Rafael... o qual tenho certeza de que ela lembra com muita saudade...