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19 abril, 2010

Minha história de índio

E hoje é dia do índio.
Eu sou um pouco índio.
Índio de raíz.

Lá atrás, na minha história, em algum lugar do passado, algum indígena da etnia Munduruku entrou para a minha família.
Ninguém sabe explicar direito a história. E eu já fiz mil relações.
Na legislação brasileira o nome que prevalesce é sempre o do pai.
Mas segundo minhas lendas familiares, Munduruca vem de uma índia.
Um estrangeiro haveria roubado uma índia Munduruku e obrigado que ela se cassasse com ele.
Ou ainda, um estrangeiro e uma índia Munduruku se apaixonaram e fugiram.
Sairam de perto do rio Xingu e foram viver no interior da Bahia, em Lençóis, cidade na qual meu avô nasceu.
Ou nas proximidades de Lençóis.

Meu avô, Elicivaldo Munduruca, é filho de Aurea Senna Munduruca e Tertuliano Munduruca.
Meu bisavô, Tertuliano Munduruca era filho de Maria Munduruca e pai desconhecido.

Imagino que o pai do meu bisavô, pelo nome que ele recebeu, era italiano.
A vaga memória de meu avô diz que Maria Munduruca, sua avó, tinha cabelos negros, longos e lisos, e que ela tinha feições indígenas.
Mas que talvez não fosse ela índia, mas filha de índios.

Será?

Essa é uma história que eu provavelmente morrerei sem saber exatamente como aconteceu.
O que eu sei é que aqui em minhas veias corre sangue de índio.
E hoje é meu dia. E de muitos outros brasileiros que como eu luta todos os dias para sobreviver nessa selva.

Esta senhora é uma índia Munduruku.
Minha tataravó poderia ser igual a ela.


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Em janeiro desse ano conheci Mônica Almeida e Jardson Melo, que vivem em Belterra e Suruacá, respectivamente, no Pará.
Segundo eles, as cidades em que vivem concentra o maior número de tribos indígenas da etnia Munduruku.
Qualquer dia irei visitá-los.

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Em setembro do ano passado estive no Pará, e fui ao Museu do Índio.
Comprei para meu avô um colar que mistura casca de um fruto da família das palmeiras com dentes de catito.
Um exemplar legítimo dos Mundurukus, que na lenda que eu criei só pode ser utilizado pelo grande Cacique.
Considerando que meu pai é o mais velho de uma geração e eu o mais velho de outra, um dia voltarei a ver o colar.

Um comentário:

preto disse...

olaa RAFAEL eu nao sei se somos parentes mas minha familia quase toda tem munduruca kkk é um nome incomun nao é mesmo quase ninguem tem esse sobre nome e ingraçado que minha bisavó tinha o neme de maria munduruca pode ser coincidencia mas tambem pode haver e possibilidade de sermos parentes.. meo nome é graziela..