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23 abril, 2010

trovador contemporâneo

No segundo fim de semana de abril, dias 10 e 11, o palco do Instituto Itaú Cultural recebeu o projeto 'A(u)tores em Cena', idealizado pelo escritor Marcelino Freire. Tive a oportunidade de estar presente no primeiro dia, que contou com duas apresentações. A primeira com Nilton Bicudo dirigindo Lourenço Mutarelli no espetáculo 'O Outro' e a segunda com Lourenço Mutarelli dirigindo Xico Sá no espetáculo 'Segundo Ato'. Marcelino diz que o objetivo do projeto é 'mostrar que a literatura não precisa ser solitária. Pode ser vivamente compartilhada. E que o papel do AUTOR não é apenas, e necessariamente, o papel em branco. Outros papéis, sim, esperam pelo AUTOR/ATOR'. O projeto vem sendo bem sucedido desde sua criação em 2006.

Pesquisando encontrei dois vídeos do 'A(u)tores em cena' de 2009, 'Pedras não falam', com O escritor Ferréz e 'Amor e exílio', com André Sant'Anna. No primeiro vídeo Marcelino Freire explica um pouco como surgiu o projeto.

Pedras Não Falam



Amor e Exílio



Algumas semanas antes desse evento no Itaú Cultural, fui com o Lucas participar do 3º Encontro de Twitteiros Culturais, na Livraria Cultura, e Marcelino estava entre os convidados ao debate sobre literatura. Durante o Encontro, Marcelino falou um pouco sobre seu trabalho em reunir os 'Cem Menores Contos Brasileiros do Século', projeto em que propôs a diversos escritores que contassem uma história em apenas cinquenta palavras, em 2004, muito antes da onda twitter chegar por aqui. Quando o debate acabou Lucas foi cumprimentar Marcelino, seu amigo de longa data, e acabou me apresentando.

Após conhecê-lo pessoalmente, fui ter contato com sua obra. Primeiro 'Angu de Sangue', seguido de 'Rasïf' e por último 'Contos Negreiros'. Muito mais que livros de contos, a obra de Marcelino dá espaço para que outros artistas completem suas propostas com ilustrações e imagens. Uma coisa engraçada e interessante, Os autores dos prefácios dos livros dele (João Alexandre Barbosa, Santiago Nazarian e Xico Sá) são unanimes ao afirmar que a obra de Marcelino é feita para ser lida/dita em voz alta. Em função desses pontos de vista, senti a necessidade de fazer essa relação entre o projeto 'A(u)tores em Cena' e os livros de Marcelino pois visualizei ali ele instigando outros autores a fazerem com seus trabalhos essa leitura pública, uma interpretação, nos amplos aspectos da palavra.

Convido você a visitar a obra de Marcelino Freire. É impossível ler devagar. A obra cobra um ritmo intenso e emocionante. Tentei elencar dois ou três contos dos livros que li para indicar como leituras imprescindiveis, mas não deu. Tudo ali é importante. Tudo ali é imprescindivel. Realidade trabalhada no lirismo.


** Só pra sentir o gostinho, encontrei Para Iemanjá, de Rasïf, em pdf. Aproveite!