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15 julho, 2010

Balada da entrega

Domingo acabei de ler "A Metamorfose", do Kafka. Um livro tão aclamado, tão elogiado, tão esperado, tão... Sem dúvida uma história atemporal. Poderia ser vivenciada em qualquer lugar, por qualquer pessoa, até dentro de nossa própria casa. É uma história que fala sobre corresponder as expectativas. E a forma como você é valorizado quando faz exatamente o que os outros esperam de você. E quando você fica impossibilitado de atender a esses desejos, passa a ser um sujeito desagradável e incomodo. Uma companhia indesejada.

Fiquei impressionado em como essa história realmente acontece. Não tive imparcialidade suficiente para observar isso na minha própria família, mas consegui perceber em relação a pelo menos duas pessoas que conheço, e que quando deixaram de fazer tudo pelos outros, deixaram de ser recebidos com o mesmo "afeto".

E como tudo é uma questão de escolha, a minha metamorfose foi outra. A muito tempo eu decidi não ser exatamente o que queriam que eu fosse. Eu quis ser além. Mesmo que isso rompesse expectativas, talvez até de uma forma bastante positiva. O meu ideal de vida, que não necessariamente está ocorrendo, é a de não basear a minha felicidade no que espero que o(s) outro(s) faça(m) por mim, mas na felicidade do(s) outro(s).

Mas esse bichinho da expectativa mata. Ele domina a gente de uma forma que mesmo a gente tendo um ideal como esse, nossa mente acaba se ocupando com milhões de ansiedades.

3 comentários:

Daniel Prestes disse...

Tem uma versão em quadrinhos muito bem feita de "A Metamorfose".

De Kafka, eu gosto do conto "O silêncio das sereias", se quiseres ler, tem disponível no google.

Quanto a questão de mudança e expectativa, bem, a primeira é necessária e a segunda, inevitável. Embora, o modo como a faremos e a perceberemos, seja o diferencial.

Leco Vilela disse...

leia a "sequencia"... Paixo Segundo G.H. - Clarice Lispector

beijos

macsmat disse...

Quando vi o título do livro pensei já o li,mas não recordava ,só restava uma impressão boa sobre ele ,comecei uma nova leitura ,ou releitura,e como livro é meu vício ,às vezes o devoro em uma noite ,mas a releitura é diferente assemelha-se a degustação de uma fatia de bolo,pedaço à pedaço ,ou seja ainda não passei da parte que ele sai do quarto.A parte que mais me impressionou foi a inquietação do perssoangem com a maneira de dormir lembrei que a maneira que dormimos tem muito haver com a nossa relação com o mundo e recordo que só dormia de "papo pro ar",enfrentando a vida de frente mergulhando de cabeça nas coisas,hoje percebi que durmo com o braço no rosto ,me protegendo ,sei lá do que ,e nessa tem duas noites que tento dormir diferente e não consigo ,então percebi que a maneira de dormir ,só muda quando você já mudou sua relação com o mundo ,mas prossigo no livro e na tentativa de obter essa tal METAMORFOSE.