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04 julho, 2010

da lua se vê o fundo do poço

Desde o dia em que Joca Reiners Terron lançou o seu "Do Fundo do Poço se vê a Lua", venho sendo acompanhado por Cleópatra e Liz Taylor. Dia 01 de junho. Dia do lançamento oficial do VilaMundo na Semana Cidades Catraca Livre, no Itaú Cultural. Evento terminado, segui com @lucasguedes até a Mercearia São Pedro para conseguir o meu exemplar autografado.


"Ao Rafael, este som de El Kamassin (o vento). Joca"



Na hora em que li a dedicatória não entendi. O que poderia ser o tal som de vento... Agora entendo que esta dedicatória é um reflexo do livro... Apenas mais uma das tantas metáforas presentes nas linhas e entrelinhas da história.

Terron criou uma história difícil de explicar. Talvez difícil por ter tantos mistérios e corrermos o risco de desvendá-los antes que você leia o livro. E não é esse o meu objetivo. Mas o que posso contar é que trata-se da história de Willian e Wilson, irmãos gêmeos univitelineos, de mãe morta no parto, e pai um ator decadente que nunca chegou a decolar. Uma família de foras da lei. O pai cria os filhos dentro de uma redoma travestida de apartamento, com cara de depósito cênico, e junto com um amigo se encarrega da educação dos dois. William e Wilson são opostos. Um inteligente, outro um ogro. Um feminino, outro um macho. "Nunca mais William e Wilson". "Para sempre William e Wilson". Da região da baixo Augusta ao leito do Rio Nilo, está montado um espaço para que o(s) ciclo(s) do(s) duplo(s) seja(m) encenado(s).

Uma das partes do livro que mais me emocionaram é a relação entre os gêmeos, especialmente Wilson, e a mãe, ainda no ventre. Trecho imperdível do livro.

Sem estragar mistérios, justifico o porque Cleópatra e Liz Taylor me acompanharam. Wilson ao longo do livro se transforma em Cleópatra, Cléo para os intimos, inspirado na personagem de Liz Taylor, da década de 60. Vale a pena acompanhar essa transformação.

"Do fundo do poço se vê a lua" faz parte da coleção Amores Expressos, a mesma que publicou os já lidos "Estive em Lisboa e lembrei de você" (Luis Ruffato), "O Filho da Mãe" (Bernardo Carvalho) e "Cordilheira" (Daniel Galera).

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