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03 setembro, 2011

Centro Cultural

Meu fim de semana passado foi de descobertas interessantes. Muito antes de voltar a morar em São Paulo, já frequentava esporadicamente o Marajá, um restaurante justo, que fica ao lado do Ministério do Trabalho, na rua Martins Fontes, quase Augusta, bem no centro de São Paulo. Mais uma vez almocei por lá, ao lado de amigos recentes e antigos. Ao sair dali fui corrigir um erro na minha vida cultural paulistana, fui, finalmente, conhecer a Biblioteca Mario de Andrade. A poucos metros do Marajá, a biblioteca pública me surpreendeu com seu acervo moderno e contemporâneo. Autores que eu não imaginava encontrar ali, inclusive livros da "firma". Aliás, identificar os livros da Cosac Naify em livrarias, estantes e bibliotecas virou um dos meus vícios. Não consigo deixar nenhuma pilha de livros sem um olhar atento às obras... No meu passeio pela Mario de Andrade, acabei encontrando uma sala repleta de periódicos, guardada por estátua - "A Leitura", onde encontrei os principais jornais e revistas da atualidade, incluindo publicações menos populares como as do Itaú Cultural.

Enquanto folheava os cadernos de cultura dos jornais paulistanos, o som de um piano invadiu a sala, vindo da praça localizada logo atrás da biblioteca. Alguém interpretava Chiquinha Gonzaga. No caderno Cotidiano, encontrei uma história que me marcou: Severina Maria da Silva, absolvida. Esta mulher, da região de Caruaru, havia estado presa por pouco mais de um ano após encomendar o assassinato do pai. Ela, que vinha sendo abusada por ele desde o fim da infância, que foi obrigada a ouvir da mãe que filha tem que ser mulher do pai, que gerou doze filhas e filhos daquele senhor, que perdeu muitas dessas crias, tomou a decisão de finalmente se livrar de seu tormento. A liberdade lhe custou 800 reais. Sai de lá com esse nome da cabeça, e encontrando severinas e marias e silvas pela rua. Na praça, o piano havia sido interrompido e dava agora lugar a um samba animado.

Segui pelos calçadões daquela região, que eu não sei se é Sé, República ou Anhangabaú, até encontrar o Teatro Municipal. Contemplei a fachada por algum tempo, sonhei com a possibilidade de assistir a algum espetáculo ali, mas a programação já estava com os ingressos esgotados para os próximos dois meses. Lembrei que eu tinha um ingresso para uma Ópera que será encenada em breve e senti certa felicidade. Mas já não sei se poderei ir.

Caminhei pelo viaduto do Chá admirando as árvores plantadas no topo da sede da prefeitura municipal. Passei pela Praça do Patriarca e caminhei até encontrar o Centro Cultural do Banco do Brasil. Lá, a primeira sensação ao ver a nave espacial criada pela artista japonesa Mariko Mori é de que o futuro, aquele dos desenhos animados e das séries espaciais, é agora. E talvez fosse se a máquina voasse. Me impressionou imaginar aquela estrutura cruzando oceanos para ser apresentada no Brasil. Entre uma obra e outra encontrei, ao acaso, dois amigos do trabalho. Pessoas que admiro por motivos diferentes. Convidei um deles para assistir ao espetáculo em cartaz no CCBB, A Ilusão Cômica. A peça teria sido mais divertida e surpreendente se não tivesse sido tão longa e eu não tivesse lido o programa - que conta o final da história. Mas, ok. Já era quase dez da noite quando saimos de lá rumo ao Kebabel, encerrando a noite com kebab's de falafel e malabie com damascos e ameixas de sobremesa.

A manhã de domingo começou no metro a caminho do Parque da Água Branca. Há tempos queria conhecer essa chácara no meio de São Paulo. Um saudável café da manhã na Feira de Orgânicos me aguardava. Entre galos cacarejando, sapos enormes e muitas famílias, caminhei pelo parque. Parada incrível para contemplar os bambus próximos aos pergolados. Na sequência, estranhamento com os espaços de leitura que parecem estufas e nada dialógam com aquele ambiente rural.

Segui para o Bom Retiro, onde era inaugurada uma nova unidade do Sesc. Consegui chegar a tempo para assistir a peça A casa amarela, com Gero Camilo, gratuitamente, como parte da programação comemorativa. Um monólogo sobre Van Gogh, telas, Paris, Arns e a casa amarela. Ao final da apresentação, todos felizes. Muitos ali haviam acabado de assistir a um espetáculo de teatro pela primeira vez. Outros não ficaram até o fim. Fim? Nos agradecimentos o ator nos conta que "na verdade o espetáculo é mais longo, aqui fiz uma vesão compacta. Para assistir inteiro, vá ao TUCA". Teatro do absurdo: deixar o publico sem saber o final. Nem eu, nem muitos, iremos assistir ao espetáculo no TUCA. Nada contra o TUCA, mas já conheço pouco mais de uma hora da peça, que é boa e marcante, mas não vou pagar para ver mais quinze minutos. Uma lástima. Nos corredores do novo Sesc: performances, instalações, pessoas de todas as idades e nacionalidades. A instalação criada por Edith Derdyk, com linhas e papel, está muito interessante. Estive uma vez em seu Ateliê, em Pinheiros, realizando reportagem para o VilaMundo - foi onde tomei meu primeiro café turco, com um toque de cardamomo. No espaço de leitura os livros são separados por temáticas étnicas. Os livros de Suzy Lee estavam expostos lindamente na estante de títulos sul-coreanos. Na saída, um amigo sugeriu comermos burekas, mas não tinhamos o endereço de onde poderiamos saborear essas iguarias húngaras.

Pela primeira vez caminhei sobre o minhocão. Experiência divertida. Parecia uma praia. O destino seguinte foi um prato de comida num restaurante multiétinco em frente ao Copan. Devorei o que supostamente seria um prato típido da suiça: batata rösti com filé mignon. De sobremesa, sorvetes Soroko ao pé da Augusta.

Este foi o fim de semana passado, um longo passeio cultural pelo centro. Hoje, se tudo der certo, devo ir ao Mis e ao Mube. Alguém?

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