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07 setembro, 2011

"Esse cara é um fanfarão"


Esse título eu pincei do diálogo entre dois adolescentes ruivos que observavam a obra Hobby, na exposição Nelson Leirner 2011 - 1961 = 50 anos, na Galeria de Arte do SESI-SP, no edifício da Fiesp, na Paulista. Eles observavam o trabalho de ressignificação que o artista faz com cartões postais e adesivos do mickey, pato donald e outros. Também chamada de Um, nenhum, cem mil, a obra é o resultado de um "trabalho silencioso que o artista vem realizando há uma década".

Logo na abertura da mostra há uma pintura quase comum, a óleo, e logo abaixo desta tela está grafada a frase "antes de ser artista". Essa é só a primeira provocação, sugerindo ao espectador que não espere encontrar na mostra obras muito convencionais. Leirner é conhecido por seu trabalho contestador e provocativo. O que vem a seguir são quadros, esculturas e instalações compostas por desenhos, colagens, pinturas, assemblagens e muitas outras técnicas misturadas com elementos cotidianos como estatuetas de santos, bonecos de plástico, tapetes, adesivos coloridos, folhetos de eventos, entre outros. Me diverti com diversas obras, entre elas, se eu não estiver enganado, com Cartas a Jules.

Vinte pras seis sai correndo de lá rumo ao Espaço Unibanco de Cinema, na Augusta, afim de completar a experiência, o mergulho na obra de Nelson Leirner. Explico: está em cartaz mais um filme da série Iconoclássicos, do Itaú Cultural, o documentário Assim é se lhe parece, sobre o artista. Criado a partir da interação realizada com ele para a Ocupação que o Itaú organizou em 2009. Aliás, esta ocupação foi meu primeiro contato com o trabalho de Leirner. Na ocasião, ele apresentou quatro obras "clássicas" e uma releitura para cada uma delas. Entre estas, o inesquecível Porco empalhado e o Presunto. Na exposição do SESI há documentos que detalham o contexto em que essa e outras obras foram criadas e seus desdobramentos. No documentário há um trecho de um vídeo arte que acredito ter sido inspirado, também, neste contexto e/ou trabalho do porco.

No cinema havia um pedido de desculpas engraçado e inusitado. Um cartaz pedia que o público desculpasse pois os filmes estavam começando no horário exato e sem a exibição de publicidade. Não seria perfeito se este problema acontecesse sempre?

Na volta, caminhando pela Paulista, avistei Marisa Orth aguardando para atravessar a rua no cruzamento com a Itapeva. Ela tomava uma Heineken de canudinho quando foi abordada por duas fãs que lhe ofereceram milho cozido.

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