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09 outubro, 2011

Cenários clássicos

Nas últimas semanas tive a oportunidade de conhecer dos cenários clássicos do centro de São Paulo: o Bar do Museu, sede da Associação dos Amigos do Museu de Arte Moderna, e o Terraço Itália. O primeiro localizado a Av. Ipiranga, 324, primeiro andar. O outro, mesma rua, no número 344, 40 andares acima.



Recomendação de um amigo apaixonado por arquitetura e design clássicos, visitei o Bar do Museu duas vezes na mesma quinzena. A recomendação era: olhar atento ao mobiliário estilo anos 1940/50 e a porção de quadros de modernistas. Nas duas visitas o Bar do Museu estava vazio - mesmo com um cardápio com preços surpreendentemente justos. O pedido também se repetiu, cerveja e porção mista de mini pastéis. Segundo Clarice, responsável pelo local, está cada vez com mais difícil manter o bar aberto, principalmente por conta das pressões do sindico do edifício que gostaria de vê-lo fechado. Com o passar dos anos, o horário de funcionamento foi ficando cada vez mais restrito. Atualmente, o bar abre apenas de segunda a sexta, com entrada permitida das 18h às 21h, e encerramento das atividades, pontualmente, às 22h. Logo na entrada, a estátua de um cão recepciona os visitantes. As paredes estão cobertas de obras assinadas por artistas como Volpi, Wega Nery, Aldemir Martins, Maria Leontina, entre outros. Os móveis são realmente incríveis. O papo rola tranquilo e animado, sem interrupções. Se tudo der certo, este ano comemoro meu aniversário por lá.

A convite de uma família de amigos queridos de Rondônia, visitei pela primeira vez o famoso Terraço Itália. Encontro combinado com bastante antecedência e reservas realizadas para garantir o lugar em uma das vistas mais privilegiadas da cidade. Sob a trilha sonora produzida por um piano, pude saborear um fettuccine com radicchio trevigiano e linguiça harmonizado com um pinot noir argentino. O local é um pouco mais barulhento do que o esperado, mas a vista, a vista é surpreendente. Pude identificar diversos pontos da cidade, locais pelos quais estou acostumado a caminhar todos os dias, mas visto de outro ângulo. Difícil parar quieto. Caminhei de uma ponta a outra pela varanda que rodeia o restaurante. Desejei passar a noite inteira ali, olhando, contemplando, sonhando. Felizmente a noite estava limpa e linda. Com estrelas. Talvez não. Mas eu vi. É a memória que guardei. Um céu estrelado e a cidade iluminada. O Municipal e o Copan vistos de cima. Toda a extensão da Paulista, incluindo a torre que fica próxima a minha casa. Ao fundo, de um lado a serra da cantareira, do outro o infinito.

Se embaixo quem passa por dificuldades é o bar, em cima é o bolso quem sofre. Mas, em ambos, o cenário e os sabores fazem valer a visita. Ainda melhor se estiver bem acompanhado.

Um comentário:

tipuri disse...

O bar é realmente incrível! Achei que já estivesse fechado! Fui pela primeira vez faz uns 8 anos, junto a um dos associados desde a primeira leva, o pai de um amigo. Gostei tanto que voltei a ir com ele durante várias semanas. Esse pai faleceu faz uns 5 anos e tinha ouvido dizer que o bar havia fechado. Você conhece a história do bar? É fantástica! Vou lá de novo esta semana. Obrigado!