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15 janeiro, 2013

No ônibus, em boa companhia



Sempre leio no ônibus. Quando não leio, jogo Angry Birds, Sudoku ou Elemental. Ou observo a cidade. Desde novembro tenho lido os livros do selo Boa Companhia, da Companhia das Letras. A cada viagem, a possibilidade de ler integralmente um texto diferente. São livros curtos que reúnem contos e/ ou crônicas. Já li três: No restaurante submarino – contos fantásticos, O casamento da lua – contos de amor, e agora Primeiras leituras – crônicas de Paulo Mendes Campos.

O primeiro, encontrei em um momento em que buscava o fantástico como inspiração. Além dos contos maravilhosos, malucos e surpreendentes, foi uma oportunidade de ter um primeiro contato com a obra de Murilo Rubião, Moacyr Scliar, Lygia Fagundes Telles e Amilcar Bettega Barbosa. Sem dúvida os anões de Lygia me trouxeram memórias incríveis. A Compulsiva e o Submisso, de Rubião, me fizeram pensar na vida.

Em O casamento da lua, li atento, pela primeira vez, e me apaixonei por “Para viver um grande amor”, de Vinícius de Moraes. Machado de Assis, Lima Barreto, Paulo Mendes Campos, Milton Hatoum, Daniel Galera e, de novo, Lygia Fagundes Telles, preencheram minhas manhãs de amor. Não tinha tido nenhum contato com Machado ou Barreto desde o fim do ensino médio. E foi bom perceber que já não acho a linguagem deles tão complexa, como “outrora”. Me encantei com “A desejada das gentes”, de Machado, e achei a história de “Clara dos Anjos”, de Barreto, extremamente atual.

Sobre Primeiras leituras, minha consideração mais urgente diz respeito ao título, deveria ser substituído por “Guia Prático do Carioca de ontem, de hoje e de todos os tempos”. Campos mergulha nas praias cariocas, no jeitinho do malandro, nas relações sociais, assumindo o sotaque, contrapondo com o eterno contraste dessa galera do mar, nós – os paulistas. Quem puder, não deixe de ler “Sobrevoando Ipanema”, uma forma de gaivotear por uma das principais praias da Zona Sul do Riiiu. Se você é carioca e ainda não conhece Paulo Mendes Campos, tá perdendo tempo, mermão.


Próxima parada: A linguagem dos animais – contos e crônicas sobre bichos.

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Falar de livros, ônibus e cariocas, me fez lembrar de outra leitura, que fiz em 2011, que já é um clássico nacional, e que recomendo fortemente a todos: O passageiro do fim do dia, de Rubens Figueiredo.

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