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21 fevereiro, 2013

Dramaturgias urgentes



Em 2012 o Centro Cultural do Banco do Brasil lançou um projeto chamado Dramaturgias Urgentes. Dividido em quatro módulos temáticos, a proposta era estimular jovens a criarem seus primeiros textos teatrais a partir de temas que têm se destacado no nosso Brasil contemporâneo, quais sejam: ¨A nova classe média brasileira: os emergentes¨, ¨Envelhecimento da população brasileira: melhor idade?¨, "Brasil, um país de estrangeiros" e ¨Brasil: violência e relações sociais".

Na ânsia por escrever meu primeiro texto teatral, quando vi a divulgação do primeiro módulo, me senti extremamente estimulado a participar. Frequentei as palestras e os encontros paralelos que antecederam as inscrições, e corri escrever um texto que me era urgente: a história de uma mulher que estava comemorando seus 45 anos e se encontra com sua família para celebrar, mas as pessoas não são nada afetivas entre si. Na época eu estava cursando a disciplina O drama em questão - aspectos inovadores da dramaturgia brasileira [1910-1943], estudando Maeterlinck e seu teatro estático e também Roberto Gomes, Oduvaldo Viana, Oswald de Andrade, Gastão Tojeiro, Renato Vianna, entre outros. Criei um texto chamado Feliz aniversário, que de alguma forma lembrava uma comédia de costumes, mas que ao mesmo tempo tinha sua ação deslocada, inspirado nas peças de Maeterlinck. Então, trata-se de uma peça em que nada acontece, um retrato, que explora o vazio nas relações familiares e que cria expectativa em torno de algo que nunca se realiza. Recebi um parecer técnico de um dramaturgo que foi completamente indelicado, se valendo de palavras extremamente pesadas e desestimulantes.

Vi os módulos dois e três acontecerem, desejei participar mas só lembrava do parecer destruidor. Resolvi, então, investir seriamente na área de dramaturgia, e me inscrevi na seleção da SP Escola de Teatro. Nesse meio tempo, acabei lendo uma peça e tendo contato com o autor da crítica da minha primeira experiência de escrita teatral e qual não foi a minha surpresa ao perceber a sua total falta de sofisticação, uma necessidade enorme de se autopromover e uma certa zorratotaltice em sua dramaturgia. Era a deixa que eu precisava para dar a cara a tapa novamente.

Quando chegou o quarto módulo, decidi participar. No dia da inscrição eu ainda não tinha começado a escrever nada, mas surgiu uma inspiração tão forte e tão dentro do tema, que não pude deixar de sentar, escrever e me inscrever. Assim nasceu Aqui não tem princesa, a história de uma menina que vai morar com o namorado, a sogra e o cunhado em uma casa extremamente humildade, tem dificuldades de conviver com os integrantes desta família até o dia em que os percebe como seu porto seguro. A peça não ficou entre as seis finalistas do módulo, mas é umas das 35 que receberam um parecer técnico. Dessa vez, um parecer técnico delicado e motivador, assinado por uma dramaturga. Logo na abertura, ela parabeniza o autor por ter aceitado o desafio de participar do projeto e em seguida traça uma análise detalhada da ação e dos personagens, apontando possibilidades e motivando o desenvolvimento do texto.

Quem quiser conhecer as peças selecionadas, hoje (21/2) e na próxima quinta (28/2), às 20h, no Teatro do CCBB - SP, José Fernando de Azevedo e os integrantes do Teatro de Narradores farão a leitura dramática das mesmas. Para ler as minhas, é só pedir que eu envio o arquivo em pdf: rafaelmunduruca@gmail.com.

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