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18 fevereiro, 2013

Voltarei, Recife

 
Sempre fui desses que nas vésperas do Carnaval citavam o Luiz Melodia nas redes sociais dizendo que ficava triste quando essa época chegava. Esse ano resolvi me permitir uma experiência diferente e comprei passagens para Pernambuco. E pela primeira vez na minha vida eu estive em um Carnaval de verdade!

De sexta à terça, revezei entre as mil atividades de Olinda e Recife. Comi tapioca no alto da Sé. Pulei nos melhores e mais animados blocos de Olinda, subindo e descendo as ladeiras, batendo cartão na 13 de maio e no escadão do MAC. Almocei macaxeira com carne seca. Beberiquei Pau do Índio e Pitu Cola. Acompanhei o famoso Galo da Madrugada pelo Centro Histórico do Recife, ao som de frevo e das canções de Chico Science. Assisti parte do grandioso show de abertura. Virei a noite na Festa Maledita, em um espaço na beira da Bacia Portuária. Caminhei pela Orla de Olinda. Me deliciei com cuscuz com queijo coalho na Central do Carnaval. Estive na belíssima Noite dos Tambores Silenciosos, com os Maracatus de todos os cantos de Pernambuco, no Pátio do Terço. Comi empadas de queijo do reino na Orla de Boa Viagem. Vi o Maracatu no Parque Dona Lindu. Observei o rio Capibaribe e as construções antigas que o ladeiam, a partir do terraço do Paço da Alfândega. E para o gran finale, pulei com Elba Ramalho e cantei com Caetano Veloso.

 
Fui muito feliz nestes cinco dias, Um carnaval extremamente diversificado e democrático, com todas as atrações gratuitas e atividades para todas as idades. Bebidas e comidas com valores acessíveis e transporte público a noite toda. Fiquei tão encantado com a folia que providenciei adereços que simulavam discretas fantasias. O pernambucano tem um orgulho de sua terra, de suas tradições e de sua história que é impressionante. Qualquer dúvida que pude ter sobre localização e direção foram sanadas com explicações históricas e geográficas. A cada vez que tocava uma música da terra, os pernambucanos cantavam de cor e em alto e bom som. Um carnaval sem brigas, sem estresse e sem perdas. Foi ainda uma oportunidade de aprender palavras novas como enguiar, cabuetar, encaralhado, pirangueiro, pirraia, pitoco, biziu, cafuceta e ainda a origem da expressão rariú (¨how are you¨, em um inglês popular e voltado para a prostituição).

Um pouco antes de partir para o Carnaval, comecei a ler Orgia, diários do escritor e dramaturgo argentino Túlio Carella, durante o período em que viveu no Recife, no início da década de 1960. Na obra ele apresenta seu cotidiano no teatro e na universidade e narra momentos tórridos de muita sacanagem vividas ao lado dos cafusús que ele encontrava nas ruas da capital pernambucana. Durante esses poucos dias de folia, pude sentir um pouco deste calor dionisíaco e visitar algumas das referências postais citadas por Carella, como a ponte Maurício de Nassau, a rua Duque de Caxias e o Teatro Santa Isabel. Busquei, também, perceber os Recifes de Era uma vez eu, Verônica e O som ao redor. Para completar minha jornada, faltou um passeio de catamarã para relembrar as paisagens de Ex-Isto e Febre do Rato. E uma visita ao famoso Castelo de Brennand. Mas voltarei, Recife. Você e Olinda estão no meu coração.

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Para ver outras imagens dos dias em que estive em Pernambuco, acesse o álbum no Facebook.

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